Mundo dos Vinhos

Convido a você leitor a descobrir a grandiosa riqueza do mundo dos vinhos brancos. Eles são donos de uma enorme paleta de cores que vão desde quase incolor, verde cristalino, amarelo palha, amarelo ouro, ouro velho, âmbar, castanho à marrom.

Ricos em aromas florais, frutados, vegetais, minerais e quando estagiam em barricas ganham notas com bouquets que vão desde especiarias, lácteos, tostados e até mel. Já em boca podem ser agradavelmente discretos e delicados ou até apresentar uma incrível sensação de untuosidade de sabores.

Em via de regra as uvas brancas são as primeiras a serem colhidas, e isso acontece mais cedo comparado as tintas, no intuito de se preservar algumas características nas uvas como riqueza de ácidos que conferem ao vinho um delicioso frescor. O enólogo responsável fica sempre atento ao ponto ótimo de maturação. É importante observar os horários da colheita, evitando os horários mais quentes do dia, para evitar a oxidação e consequentemente a fermentação precoce, com isso se obtém um controle para que não ocorra a perda de aromas primários importantes e o aparecimento de aromas não desejados ao vinho branco.

É enorme a variedade de castas brancas cultivadas para vinificação no mundo. Mas existem algumas que são consideradas como principais em determinados países e que produzem vinhos encantadores.

Na França a Chardonnay reina absoluta na região de Chablis e a Sémillon produz os Sauternes para deleite dos enófilos, no Vale do Mosel na Alemanha a casta Riesling produz uma enorme variedades de perfis de vinhos, podendo ser até de longa guarda, na Itália na Comuna de Roero produz vinhos com a castas Arneis cheios de aromas delicados, na Hungria a casta Furmint faz uma maravilha com os seus Tokajs e já na Eslovênia essa mesma uva produz uma delícia de vinho refrescante e frutados, em Portugal na região da Bairrada a casta branca Arinto tem produzido vinhos sublimes e o no restante do país o Alvarinho tem produzidos prazerosos néctares, no Dão a casta magnifica Encruzado é a escolha, na região da Rioja no norte da Espanha a Viúra é a mais produzida.

Existe uma casta branca que é cultivada nos quatro cantos do planeta , produzindo vinhos com perfis muito diferentes, me refiro a esta clássica uva branca, a Sauvignon Blanc, que na região do Loire (Sancerre e Pouilly- Fumé) na França é considerada rainha, já na região de Marlborough na Nova Zelândia e em algumas partes da Austrália e África do Sul vem se destacando produzindo grandes vinhos brancos. Em São Joaquim na Serra de Santa Catarina no sul do Brasil ela tem produzidos vinhos brancos surpreendentes, fruto de um belo trabalho dos produtores, seus enólogos e do próprio terroir.

Os vinhos brancos podem ser ricos em sedutores aromas, com inúmeras nuances de cores, cheios de refrescância ou até agradável untuosidade, tornando-os fascinantes a quem mergulha em descobri-los. No entanto, para saber se você está de frente a um branco de qualidade, há que se avaliar um detalhe simples, mas muito importante, constatar se o vinho tem equilíbrio entre acidez e maciez. Segundo Euclides Penedo Borges que compartilha a sua vasta experiência em seu livro, a acidez provem dos ácidos orgânicos como tártarico, málico, cítrico, succínico, lático e acético, já a maciez depende de ingredientes adocicados como álcool etílico , açucares residuais, glicose, frutose, xilose e glicerina.

Os métodos de vinificação dos vinhos brancos podem ter diferenças, dependendo do estilo de vinho que se deseja obter. De modo geral as uvas são colhidas, selecionadas, passam pelo processo de desengace dos cachos e após são conduzidas a prensas onde acontece a separação das peles e das sementes, a exceção dessa sequencia são ” Oranges Wines” , onde se deixa a poupa fermentar com as peles e sementes, alguns até com os engaces.

Na sequencia da vinificação acontece a prensagem e em seguida a fermentação, no caso dos vinhos leves, o mosto é fermentado sem as películas e após é mantido em tanques de inox sob baixas temperaturas, já os vinhos encorpados são amadurecidos em barricas por determinado tempo, nesse período acontece a fermentação malolática. Já nos vinhos aromáticos, aqueles ricos em aromas de frutas doces, a fermentação é interrompida antes do açúcar seja todo consumido pelas leveduras. Ambos os tipos de vinho leves, encorpados ou aromáticos por ultimo são clarificados, engarrafados e seguem para comercialização.

Provenientes geralmente de uvas brancas, os vinhos brancos também podem ser produzidos com uvas tintas, nesse caso com uma prensagem muito suave para evitar extrair a cor das peles ou películas das uvas, são conhecidos por “Blanc de Noir”, brancos provenientes de uvas tintas. Outro detalhe interessante sobre o método de vinificação, no caso de brancos doces é que podem ser botritizados, congelados, colheita tardia, passificados e até fortificados.

Compartilho aqui algumas experiências que pude ter degustando alguns vinhos brancos que se tornaram inesquecíveis em minha vida.

País : França 🇫🇷
Região : Vale do Loire – Sancerre
Produtor : Alphonse Mellot
Casta : Sauvignon Blanc
Ano : 1988

Em visita a região de Sancerre conheci um dos mais respeitados produtores de vinho da região, o Sr. Alphonse Mellot , que após horas de conversas, boas risadas e inúmeros rótulos degustados me convidou a conhecer a “cave secreta” da empresa onde haviam algumas barricas de carvalho francês em estágio já há longos anos, para minha surpresa ele abre uma barrica , puxa o néctar com uma pipeta e me presenteia com uma prova de um Sauvignon Blanc de 1988, que estava simplesmente magnífico.

País : Alemanha 🇩🇪
Região : Vale do Mosel
Produtor : S.A Prüm
Casta : Riesling Auslesse
Ano : 1998

A região do Vale do Mosel é dominada pela produção da casta Riesling e lá pude conhecer todos os vinhedos e instalações da adega da família Prüm. Entre mais de 20 tipos de Riesling que provei , um realmente se tornou muito marcante , o vinho Riesling Auslesse de 1998, ano em que ocorreu condições microclimáticas para o ataque do fungo Botrytes Cenerea, tornando o produto algo fantástico.

País : Portugal 🇵🇹
Região : Douro
Produtor : Quinta das Bajancas
Castas : Rabigato, Gouveio e Viosinho
Ano : 2016

Em São João da Pesqueira na região do Douro conheci a família Lamas, os seus vinhedos e os seus vinhos através de um amigo. Difícil esquecer um vinho tão marcante quando o Quinta do Corvo Branco 2016, possui um corpo fabuloso, esse vinho é daqueles que dizemos que “merece respeito”, está sensacional.

País : Espanha 🇪🇸
Região : Rioja Alaversa
Produtor : Gil Berzal
Casta : Viúra
Ano : 2011

Após dirigir muitos quilômetros pude conhecer a Bodega Gil Berzal e a família Gil Berzal, os seus vinhos biodinâmicos espetaculares e cheios de uma exuberância de aromas e sabores. O vinho Bajo 0 é uma vinho estilo Icewine , que é muito famoso no Canadá , mas que na Laguardia norte da Espanha foi produzido no ano de 2011 quando as uvas ainda estavam no vinhedo sofreram congelamento com uma grande variação climática que ocorreu e pode-se utilizar está tecnica de vinificação, produzindo um vinho encantador com a uva branca Viúra.

País : Portugal 🇵🇹
Região : Vale do Douro
Produtor : Vasques de Carvalho
Vinho do Porto
Ano : 1
880

O Vale do Douro é conhecido por produzir o vinho mais famoso do mundo , o vinho do Porto. Lá no produtor Vasques de Carvalho tive a experiência em provar o vinho mais antigo da minha vida , 1880. E sem dúvida surpreendente constatar a capacidade de guarda de um néctares como esse, ele apresentava-se bom para o consumo, senti levíssimas notas de iodo, com ainda presença de frutas na boca.

País : Brasil 🇧🇷
Região : São Joaquim (SC)
Produtor : Villaggio Bassetti
Casta : Sauvignon Blanc
Ano :
2017

Fui apresentada ao produtor da Villaggio Bassetti através de um amigo e enólogo, logo que cheguei na propriedade fomos dar uma volta pelos vinhedos para que eu entendesse o que era o terroir dos Vinhedos de Altitude. Entre vários vinhos degustados na visita, fui surpreendida com o vinho Selvaggio D’Many com a uva Sauvignon Blanc devido maturar por meses com películas , esse vinho tem estrutura e para degusta-lo em seu melhor, aconselha-se até a decanta-lo, vinhos inesquecível para apreciadores de excelentes brancos.

País : Itália 🇮🇹
Região : Piedmont – Roero
Produtor : Livia Fontana
Casta : Arneis
Ano : 2017

Cheguei a região de Piedmont para provar muitos Barolos e Barbarecos , mas fui encantada com uma casta branca chamada Arneis , faz um vinho delicioso, com aromas intenso, aveludado e persistente. A experiencia foi única, pois ao buscar vinhos tintos, vim de lá embebida por delícias brancas também.

País : Portugal 🇵🇹
Região : Bairrada
Produtor :Quinta dos Abibes

Casta : Arinto
Ano : 2015

A Bairrada é realmente uma região fantástica e seus brancos vem ganhando a cada safra status de muita qualidade. Sem dúvida que o Sublime com a casta 100% Arinto do produtor Quinta dos Abibes é um vinho sublimamente arrebatador de corações de enófilos apaixonados por néctares brancos fabulosos .

Obviamente o caminho para ganharmos leque de prova e conhecimentos no mundo dos vinhos é só um, provando de tudo quanto for possível. Naturalmente ter curiosidade e sensibilidade é de suma importância para o aprimoramento. O mundo dos vinhos brancos é um verdadeiro exercício de percepções, sobre os néctares e sobre a si próprio , pois através deles nós mergulhamos num auto-conhecimento delicioso. Os vinhos brancos são capazes de harmonizar com quase tudo, são alegres e cheios de vida. Ergo minha taça de vinho branco nesse momento a você leitor que busca conhecimentos para aprimorar suas percepções .
Saudações Báquicas !

Fontes :
World of Wine , Oz Clarke’s, Editora Pavilion , 2017.

Os Segredos do Vinho, José Osvaldo Albano do Amarante, Editora Mescla, 2018.

Conhecer e Trabalhar o Vinho , Emile Peynaud, Editora Biblioteca Agrícola Litexa, 1993.

Entender de Vinho, João Afonso , Editora A Esfera dos Livros, 2017

Conheça Vinhos, Dirceu Vianna Junior- José Ivan Santos – Jorge Lucki , Editora Senac, 2010.

Wine Folly The Master Guide , Madeline Puckette-Justin Hammack, Editora Magnum

O Guia Completo do Vinho, Katherine Cole, Editora Quarto, 2018

Curso de Vinho para Verdadeiros Apreciadores , João Afonso, Editora A Esfera dos Livros , 2013.

O livro do Vinho , Vincent Gasnier, Editora Publifolha, 2015.

Manual Técnico de Vinhos, Luis Lima- João Covêlo- Paulo Pechorro- Luciano Rosa- Carlos Freire Correia , Editora Turismo de Portugal

O Guia Essencial do Vinho Wine Folly , Madeline Puckette – Justin Hammack, Editora Intrinseca, 2016

Windows on the World Complete Wine Course, Kevin Zraly, Editora Sterling Epicure, 2016

Degustando Vinhos , Euclides Penedo Borges, Editora Msuad, 2016.

A Little course in Wine Tasting , David Williams , Editora DK , 2016.

Como degustar vinhos , Jancis Robinson , Editora Globo S.A., 2010

O Passo a Passo da Degustação , Editora Senac, 2016.

Uvas e Vinhos Química, Bioquímica e Microbiologia. Roberto da Silva- Ellen Silva Lago-Vanzela- Milla Alves Baffi . Editora Senac, 2015.

Vinhos Brancos o Prazer é Todo Seu , Sergio Inglez de Souza, 2016.







Começo esse artigo dizendo que amo a França, depois de Portugal é o país que mais amo visitar vinhedos, devido a incrível variedade de tipos de vinhos que os franceses produzem. Em 2018 ficaram como o segundo maior produtor de vinhos do mundo, produzindo 46,4 milhões de litros(OIV-2018). 

Este país rico em cultura, é o responsável em produzir grandes vinhos de quase todas as categorias e vale lembrar que também é o berço de inúmeras castas nobres e das mais importantes uvas da viticultura mundial, como a Pinot Noir, Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Chardonnay, Sauvignon Blanc e Chenin Blanc, e essas citadas são uvas nativas do próprio país e que foram levadas a partir da França para diversos outros países do mundo. Existem inúmeras regiões de norte ao sul, de leste a oeste que produzem vinhos magníficos nesta pátria. 

Este artigo irei concentrar a minha conversa sobre a região da Borgonha ao qual já tive a grata oportunidade de visitar por algumas vezes.

A Borgonha compreende um mosaico milenar, cheio de encantos mil , possui cinco regiões vinícolas : Côte de Nuits – Côte de Beaune – Côte Chalonnaise – Mâconnais – Chablis & Grand Auxerrois , são terroirs ricos em inúmeros climat diferentes e que produzem vinhos de aromas e sabores únicos no mundo. 

Muitos autores utilizam a frase se referindo a região da Borgonha como sendo “A expressão máxima de um terroir. “, e que eu concordo plenamente. É uma pequena e bela região com cerca de 39.600 ha, dividida em pequenas propriedades, possui um clima frio e úmido, características que favorecem o amadurecimento tardio e consequentemente a uma maturação fenólicas mais completa das uvas.

Na Borgonha existem cerca de 100 Appellations d’Origine Contrôlée (AOC), essas cheias de diferenças em detalhes de suas características geológicas e em climas específicos, levando a uma produção de vinhos tão próximos geográficamentes e de tão distintos aromas e sabores com a mesma cépage. Algo importante são as regras e diretrizes que norteiam as rotulações com precisão dos vinhos das (AOC), que consiste numa designação de qualidade onde se regulamentam a origem geográfica, a composição da casta para o vinho e os seus métodos de produção.

Essa região compreende cerca de 3% da produção de todo o vinho da França. As castas Pinot Noir e Chardonnay compreendem 82% dos vinhedos da região. O Solo e subsolo da Borgonha resultam de dois importantes eventos geológicos que houveram.

Um que ocorreu há 200 milhões de anos atrás, quando a região era um imenso mar tropical , pouco profundo e de águas quentes e o outro há cerca de 65 milhões de anos atrás quando houve a formação dos Alpes , além de posteriores períodos glaciais que provocaram elevações e erosões , resultando nesse relevo de cheio de encostas e uma terra rica em argila, marga e calcário e que com o tempo, se tornaram rochas compostas de granitos , basalto, gnaisse e xistos diversos, e não é raro encontrar restos de fósseis de conchas do mar por lá.

Existem inúmeros lugares que a casta Pinot Noir se adaptou bem, como nos Estados Unidos, Alemanha, Moldávia, Itália, Nova Zelândia, Austrália, Suíça e até no Brasil no terroir dos Vinhos de Altitude de São Joaquim (SC) , mas o verdadeiro berço dessa cépage, onde ela expressa toda sua elegância e complexidade é de fato na região da Borgonha, e nesta região ela é apelidada como a grande tinta da Borgonha

Essa uva requer bastante atenção na viticultura , por ser melindrosa. A Pinot Noir prefere terrenos de marga com calcários e aliado a um clima  específico de algumas parcelas que resultam em vinhos mais leves , elegantes ou potentes e encorpados.

A Pinot Noir é rica de muita história, produz os Grands Crus mais famosos do mundo como Romanée-Conti, Clos de Vougeot e também o fantástico vinho Marchand-Grillot Grand Cru (Safras 1989 e 1998 ) que tive a inesquecível experiência de degustar e ser apresentada a eles pelo seu próprio vigneron Jacques Marchand e o seu filho o enólogo Etieny Marchand.

Ao degustar esses vinhos,  pude constatar ao nariz e na boca o alto nível de elegância , de complexidades de aromas e de riqueza que essa uva francesa pode nos presentear em uma degustação de tão alto nível com esses vinhos a mim servidos e que possuem um potencial de guarda fantásticos e surpreendentes. São tintos de corpo médio, aromas elegantíssimos, terrosos e com sabores de frutas vermelhas como morango e cereja.

Há diversos relatos que li e ouvi de grandes especialistas no mundo dos vinhos de que, em nenhum outro lugar ela atinge o nível de qualidade e o estilo de sua terra natal, a Borgonha. Compartilho aqui uma opinião pessoal, já degustei alguns Pinot Noir no mundo e realmente tenho que admitir que eles tem razão, os vinhos que tive a honra de provar na região, foram sem dúvidas algo que jamais irei esquecer, mas saliento que há trabalhos seríssimos sendo desenvolvidos por grandes enólogos e produtores em produzir Pinot Noir deliciosamente encantadores também em outras regiões do mundo, e obvio que será o resultado da expressão do terroir aliado aos conhecimentos humanos, a exemplo temos um vinho brasileiro Ana Cristina da Villaggio Bassetti, ao qual levei em mãos para uma prova com a família Marchand- Grillot e ao Maouri Perez.

A Appellation d’Origine Contrôlée Chablis consiste em uma região pequena que leva o nome do próprio vilarejo , e que possui 2.834 ha de vinhedos plantados, restrita a produzir vinhos brancos secos , esses apresentam-se frescos , elegantes e minerais, características únicas que carregam a própria história de seu solo e que seu clima apresenta.

O clima da região é frio dando a uva excelente acidez “fresca”. O solo é quase uniforme e único , rico em calcário e argila muito bem distribuídos , o que ajudam em dar a uva Chardonnay sabores únicos com mineralidade “ardósia”, maçã e notas herbáceas de feno. A Chardonnay prefere os terrenos mais argilosos e dependendo da proporção de argila do terreno produz vinhos brancos mais ou menos aromáticos.

Por não serem produzidos na região da Champagne os “Crément de Bourgogne” recebem esse título pois são vinhos espumosos, feito na região da Borgonha sob o método clássico, e são deliciosos e surpreendentes, e que podem ser tão bons quanto os Champagnes, principalmente os que são produzidos em Chablis e Maçonnais, devido estarem em áreas mais frias.

Na rota icônica dos Grand Crus da Borgonha visitei também o Château de Pommard, que fica ao sul de Beaune que é considerada o coração da Borgonha. Foi uma experiência incrível de contenplamento de inúmeras obras de artes espalhadas num jardim impecável e o ponto mais sensacional foi ter a oportunidade de visitar cada aposento da construção e ouvir atentamente cada detalhe que faz toda a diferença desses vinhos tão cobiçados ao redor do mundo.

Ao caminhar entre vinhedos , subir e descer estreitas ruas fazendo uma das mais fantásticas caminhadas culturais vínicas na região da Borgonha, pude deter minha atenção em inúmeros detalhes sobre as práticas agrícolas realizadas nas próprias vinhas .

E então pude perceber nitidamente que por trás de grandes vinhos tem muito mais que poesias contadas. Existe sim uma centenária tradição com boas práticas agricultáveis que trabalham em simbiose com o emprego da tecnologia, respeitando o solo e as pessoas, mas principalmente transbordando muito amor as suas terras e ao que se propõem a fazer, e me refiro a um dos melhores vinhos do mundo, segundo grandes especialistas.

Que fique a reflexão a cada um de nós enófilos apaixonados por esse fabuloso mundo vínico, sobre como devemos avaliar os preços dos vinhos que estão em nossas taças.

Saudações báquicas a todos os amantes de bons vinhos, e que não necessariamente precisam ser os mais caros do mundo. Nos cruzamos em muitas outras partilhas de experiencias que estão por vir.

Saúde, Santé, Cheers, Grazie, Nasdravije , Evoé !!!

Fontes e Legendas:

*OIV ( Organização Internacional da Vinha e do Vinho)
*AOC ( Appellation d’Origine Contrôlée )
*Vinhos da Borgonha: história, tradição e cultura/ Jean Claude Cara e Ligia Maria Salomão Cara, 2015
*The Wine Bible / Karen MacNeil , 2015
*O Guia Essencial do Vinho – Wine Folly / Madeline Puckett e Justin Hammock,2016
*O Livro do Vinho / Vincent Gasnier, 2015
*Sobre Vinhos/ J. Patrick Henderson e Dellie Rex, 2012
*Os segredos do Vinho / José Osvaldo Albano do Amarante,2018
*Atlas Mundial do Vinho 7* Edição / Hugh Johnson e Jancis Robinson,2014
* http://www.bourgogne-wines.com
* http://www.chateaudepommard.com

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Piedmont-Italy, 2019

A Itália é país em que é impossível dissociar a sua cultura, do consumo de vinho. Esta, está diretamente ligada à riqueza gastronômica, à importância econômica e aos mais diversos aspectos sociais em que possamos analisar com mais afinco .

Há relatos de que os gregos chamavam a essa pátria de Enotria (Terra do Vinho), nome esse, dado devido seu espaço territorial ter se mostrado muito propício a vinicultura e é claro, que ao longo dos séculos só foram ainda mais aprimorados .

No ano de 2018 ficou no topo do ranking como o maior país produtor de vinho do mundo , segundo a (OIV-2018) , posto esse sempre disputado com sua vizinha tradicionalista na vinicultura também, a França.

Neste artigo me detenho a comentar a região de Piemonte, localizada a noroeste da Itália, como o nome já diz “aos pés da montanha” trata-se de uma grande região, rica em belíssimas paisagem montanhosas. Essa região se distingue pela sua grandeza territorial, sendo a maior da Itália, nela abriga uma grande produção dos mais sofisticados produtos gourmet premium como trufas , massas, chocolates, panetones … , mas também por neste espaço geográfico, ser o berço da produção dos mais sofisticados vinhos de qualidade superior da Itália e que levam a designação DOC ou DOCG.

Esse é o lar dos dois mais conceituados vinhos italianos, o Barolo e Barbaresco e ambos são produzidos 100% com a casta tinta mais famosa da região, a Nebbiolo, que provém da palavra nebbia, que significa neblina, nome dado por referência a uma condição climática na época do outono que é bem freqüente nesta região, rica em encostas e colinas, tornando a paisagem ainda mais linda e bucólica.

Ambos os vinhos são tânicos, concentrados, ricos, cheios de buquês intensos, mas devido terem uma diferença de “terroir” onde são cultivadas essas uvas Nebbiolo , seus vinhos se expressam com grande diferença .

O nome Barolo homenageia o nome do vilarejo que fica no centro da região de Barolo . Nas encostas da vila de Barolo e nos municípios vizinhos , a casta Nebbiolo produz a mais impressionante e poderosa expressão dessa uva, dando a ele mais austeridade, longevidade e poder. Possui alto teor de extratos secos, taninos e elevada acidez. É chamado de rei dos vinhos tintos italianos, pode ser de dois tipos , os Rosso onde nas regras de classificação vínica é exigido 36 meses de maturação , sendo ao menos 18 meses em barrica e o Riserva onde a exigência é de 62 meses de maturação em barrica.

Já o vinho Barbaresco coincide em nomear também uma comuna italiana, mas difere-se por ser mais elegantes do que os vinhos Barolo e costumam ser menos encorpado do que o Barolo, e já que há rei em Piemonte , os Barbarescos são chamados de rainha dos tintos piemonteses.

Nesta região de produção vínica , a Nebbiolo tende a amadurecer um pouco mais cedo e com mais uniformidade, os chamados Rosso tem que ter 26 meses de maturação, exigidos 9 meses ao menos em barrica , já os Riserva a exigência consiste em ter 50 meses de maturação em barrica.

Compartilho a seguir alguns dados estatísticos de produção vínica da região dos Barolos. Possui cerca de 4.200 Hectares de uvas plantadas , sendo 95 % da produção de vini rossi (vinhos tintos), dessas 50% são da casta Nebbiolo destinada aos Barolos , 25% Dolcetto , 15% Barbera , já os 5% restante são produção de vini bianco (vinhos brancos) com as uvas Arneis, Cortese, Riesling, Rossese Bianco, Nascetta.

Geograficamente a cidade de Alba fica bem ao centro de três importantes terroirs Barolo, Barbaresco, Roero. São locais de paisagens montanhosas belíssimas e que levam a um extremo contemplamento da alma de uma enófila apaixonada como eu.

Nessa região não posso esquecer também de relatar a importância das castas Barbera (esta é a terceira uva mais plantada em toda a Itália, a sua frente só a Sangiovese e Montepulciano) e Dolcetto que são as tintas que são consumidas pelos piemonteses em seu dia a dia.

Nesta visita a Piemonte , eu fui em busca dos grandes tintos italianos, mas me deparei também com castas brancas deliciosas. Uma é a uva Arneis, apelidada como a Barolo Bianco e no dialeto piemontês seu nome significa “pequena malandra” referência ao seu exigente e delicado cultivo. Já a outra também se produz deliciosos vinhos brancos que é a Cortese.

A casta Arneis é encontrada nas encostas do Roero, localizado bem a noroeste da Villa de Alba apresenta produção por Denominazione di Origine Controllata e Garantita (DOCG) de Roero e Denominazione di Origine Controllata (DOC) em Langhe. O seu vinho apresenta notas perfumadas , florais, com aromas delicados e sabores generosos de acordo com o tipo de produto ou o perfil que o enólogo possa desejar, sem ou com o tempo de maturação em barrica, podendo levar a uma bela evolução do produto , presenteando aos degustadores com aromas e sabores incríveis .

Não poderia deixar também de comentar que esta pátria  produz uma das mais deliciosas gastronomias mundiais. Há uma enorme riqueza em ingredientes, aromas, sabores e das mais diversificadas  maneiras  dos seus preparos , agradando tanto aos gregos como também  aos troianos . 

Em visita técnica a empresa TartuLanghe pude conhecer em loco cada detalhe de tudo que envolve o mundo fantástico de uma das delicatessen mais queridinhas dos Grandes Chefes de cozinha dos mais renomados restaurantes mundo a fora , as Trufas.

Piemonte é conhecida por abrigar os mais maravilhosos produtos gourmet premium da Itália. As trufas fazem parte desse magnífico manjar dos deuses produzidos nessa área , rica em aromas e sabores pra lá de especiais, nos permitem viajar em buscas das nossas memórias, e isto sem dúvida é fantástico , pois aguça a nossa capacidade olfativa e gustativa . Há também uma enorme produção de avelãs, que são comercializadas para os mais diversos mercados comerciais. Piemonte abriga fábricas de chocolates da mais alta qualidade também.

Por aqui me despeço com confiança que nos encontraremos em breve para dividirmos conhecimentos desse fantástico mundo dos vinhos.

Saúde, Santé , Cheers, Grazie, Evoé !!!

Fontes e Legendas : 

Map (Campagna Finanziata Al Sensi Del REG. UE N.1308/2013 )

OIV ( Organização Internacional da Vinha e do Vinho)

DOC (Denominação de Origem Controlada)

DOCG ( Denominação de Origem Controlada e Garantida)

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