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O enoturismo é um  setor do turismo que está em alto crescimento em diversos países , isso claro deve-se ao fascínio que o mundo dos vinhos desperta nas pessoas que amam esta bebida e também devido ao alto crescimento do consumo mundial de vinhos .

Esse segmento de turismo se norteia em criar viagens com uma experiência de valor único, motivadas sempre pela apreciação das cores, dos sabores, dos aromas, das tradições, dos povos e da cultura dos locais onde acontecem a produção de vinhos, de modo também a entender todas as fases de elaboração desta bebida. Enfim é envolver o visitante em um verdadeiro mergulho em culturas e nos detalhes da bebida do Baco

O crescimento desse setor trás consigo inúmeras vantagens a quem recebe esses turistas, que em sua grande parte são enófilos apaixonados por vinhos, gastronomia, cultura e que adoram interagir com os povos locais.

São diversos segmentos envolvidos que também são fomentados com a grande bandeira do enoturismo, há um grande incremento em ocupações dos hotéis, visitas aos mais diversos restaurantes típicos, pontos de entretenimento e lazer diversificados, venda artesanatos e souvenirs e um aumento nas vendas de todo o comércio local de maneira geral.

E em pensar que tudo começa no cultivo milenar de videiras pelo homem que acompanha a humanidade desde seus primórdios gerando até os dias de hoje uma enorme importância histórica, sócio-econômica e cultural.

Segundo um artigo publicado por ( Cristina Barroco Novais e Joaquim Antunes), baseado em um estudo amplo neste setor, as vantagens para as comunidades que recebem esses turistas são :

  •  Aumento do número de visitantes e os seus gastos em compras;
  •  Atração de visitantes novos e repetentes;
  • Desenvolvimento de uma imagem de destino única e positiva;
  • Atração de pessoas a zonas não centrais;
  • Ultrapassar problemas de sazonalidade pelo fato do processo de viticultura se repartir por todo o ano;
  • Atração de novos investimentos;
  • Criação de emprego;
  • Criação de eventos para residentes e visitantes;
  • Desenvolvimento de novas infra-estruturas e serviços para residentes e visitantes;
  • Promoção da consciencialização do público para a preservação do património, ambiental e cultural;
  • Efeito multiplicador na economia local (ex: restaurantes) e revitalização de atividades econômicas tradicionais (ex: agricultura, artesanato, …).

Existem inúmeros destinos envolvendo o enoturismo no mundo e as viagens dividem-se em diversos patamares de experiências. Algumas para iniciantes nos vinhos, já há outras viagens que são elaboradas em cada detalhe para proporcionar experiencias valiosas para quem a faz, com uma verdadeira imersão ao mundo dos vinhos.

O Brasil hoje possui inúmeros destinos, destaco o Vale dos Vinhedos no estado do Rio Grande do Sul, o município de Pinto Bandeira também na Serra Gaúcha, onde está localizada a Cave Geisse, vinícola com excelente estrutura para que os visitantes possam desfrutar da riqueza da produção de espumantes de magnifica qualidade. Também cito a região da Serra Catarinense, o município de São Joaquim têm se destacado a cada ano produzindo vinhos de qualidade excepcionais, como os vinhos fabulosos produzidos pela vinícola Villaggio Bassetti .

Na América latina ainda destaco importantes países produtores e que já possuem diversas rotas de enoturismo como Chile nos seus inúmeros terroirs, destaco o Vale de Colchagua, onde são produzidos os vinhos Mário Geisse, na Argentina com a belíssima região de Mendonça , no Uruguai se deliciar com a pujança dos potentes Tannat e os vinhos de altitude da Bolívia.

Na América do Norte, nos Estados Unidos, na região do estado da California realmente é a rota mais conhecida com o Vale do Napa e a região de Sonoma . Já no Canadá, em Niagara-on-the-Lake é sensacional poder conhecer os encantos dos Ice Wines.

Na Europa as rotas com enoturismo estão para todos os lados, os principais países vinhateiros se destacam com um alicerce com grandes investimentos que fomentam essa importante parcela em suas próprias economias.

Italia, França, Espanha e Alemanha ficaram classificados no ranking mundial, segundo (OIV -2018) como países que mais produziram vinhos. São países ricos em diversos terroirs e produzem vinhos magníficos e de grande distinção entre um e outro local. Os países do leste também tem produzido alguns vinhos que vem se destacando a nível mundial como a Eslovênia, Austria, Hungria, Croácia e na península dos Balcãs como a Macedônia.

Abro um parêntese para falar da pátria Portuguesa, de pequena área territorial , mas de uma grandeza de quantidades e tipos de terroirs vitivinícolas, de Norte ao Sul do país, muita riqueza em história, cultura, patrimônios, aromas e sabores. Destaco as regiões em que o enoturismo está mais presente e mais alicerçado como o Alentejo, o Vale do Douro, a região dos Vinhos Verdes, o Dão e a minha Bairrada que já possui rotas com qualidade, oferecendo diversidade aos enoturistas de se aventurarem a verdadeiras e deliciosas descobertas. 

Aos leitores fica aqui uma dica, quando houver oportunidade de fazer uma viagem enoturística, não deixem de abrir os olhos da alma , o espírito do coração e aguçar todos os seus sentidos para novas descobertas, novos aprendizados, novas culturas , novas histórias, novos aromas, novos sabores e uma enorme riqueza de cores que fazem da nossa vida de enófilos apaixonados bem mais colorida e sobretudo bem mais diversificada culturalmente.

Fontes:
*O contributo do Enoturismo para o desenvolvimento regional: o caso das Rotas dos Vinhos ( Cristina Barroco Novais e Joaquim Antunes ), 2009. *Organização Internacional da Vinha e do Vinho ( OIV) , 2018.

Os vinhos rosés são alegres, vibrantes, refrescantes, divertidos, democráticos, descontraídos, confortantes, acolhedores, elegantes e delicados. Atualmente são produzidos em quase todos os países produtores de vinho e com uma enorme variedade de tipos de uvas. Podem variar de vinhos secos até vinhos doces ao paladar. Sua paleta de cores é belíssima e pode conter uma vasta quantidade de tons diferentes, variando desde um rosé provençal, rosa claro, pétala de rosa, salmão claro, rosado, rosa salmão, rosa profundo, rosa escuro até a um vermelho claro. Recebe diversos nomes em vários países como rosato na Itália, rosado na Espanha, blush wine nos Estados Unidos e rosé na França e Brasil.

É na pele das uvas tintas que encontramos os pigmentos, “os corantes”, que tecnicamente denominam-se polifenóis, são as antocianas isoladas e condensadas, catequinas, leucoantocianas, flavonóides e os famosos taninos isolados e condensados, todos esses participam dando cor ao vinho. Os pigmentos surgem quando ocorre a substituição da clorofila, exatamente no momento em que a pele que recobre o bago da uva muda de cor, essa fase é chamada de pintor.

Quanto aos métodos de produção dos vinhos rosés , podemos dividir em 3 métodos de vinificação desses deliciosos vinhos de cores tão atraentes. O método mais usado é o controlado no momento da prensagem em que o enólogo controla o tempo e a temperatura do contato da película com o mostro, decidindo que tipo de perfil de vinho rosé ele deseja. O segundo método ilustrado acima pela figura, mostra o momento em que o enólogo faz a sangria do vinho após a maceração e prensagem , do mostro que será destinado a ser vinho tinto, portanto antes da fermentação, o técnico faz a retirada de uma pequena quantidade que deseja. O terceiro método é chamado de corte ou lote , onde é feito um lote da maior parte de vinho branco a uma pequena parte de vinho tinto, esse método é mais usado nos cortes dos Champagne rosés.

Dependendo do método de produção e do perfil que o enólogo deseja para o vinho rosé que está sendo produzido, eles podem ser visualmente de diversas cores, ter uma enorme quantidades de aromas e sua estrutura pode ser diferente um do outro, com isso, possibilitando diversos tipos de harmonizações dos mais variados tipos de rosés e até diferentes temperaturas de serviço do vinho.

Quando se pensa em rosés no mundo dos vinhos, logo vem na mente uma das mais magníficas regiões vitivinícolas do mundo para produção de vinhos rosés, claro que estou me referindo a região da Provence, localizada no sul da França, onde lá eles são os verdadeiros reis.

Na região da provence são cultivadas principalmente as castas Grenache, Cinsault , Mouraèdre e a Garignan para vinificação dos vinhos rosés. Toda a região é riquíssima em história e de paisagens monumental. O clima deste terroir se caracteriza por grande influência mediterrânea que traz ventos úmidos, e ameniza a amplitude térmica, recebe também influencia dos Alpes, que trazem ventos frios na área mais a leste, e do vento Mistral que se trata de um vento frio e seco que vem do norte, canalizado pelo rio Ródano, leva embora umidade, mas pode danificar uvas e vinhas, dependendo da intensidade. Já seu solo é composto de solos predominantemente argilo-calcários.

A harmonização com os vinhos rosés a cada dia vem ganhando mais destaque, isso devido nos permitirem uma enorme versatilidade, podendo harmonizar perfeitamente desde frutos do mar, peixes, saladas, culinária asiática , carnes leves como frango, massas e até uma pizza . Já os rosés mais encorpados podem harmonizar até com uma bela carne de suíno e de vitela. Já fiz inúmeras provas de vinhos rosés de diversos terroirs vínicos no mundo, separei alguns tipos para fazer alguns breves comentários.

Esse é um rosé brasileiro do produtor Villaggio Bassetti , de São Joaquim (SC), vinhedo de altitude com uma média de 1300 m acima do nível do mar. É um vinho rosé blend com as castas Sangiovese, Pinot Noir, Merlot e Syrah. Vinho leve e agradável de cor pêssego à salmão, que se apresenta macio na boca e possui um retrogosto muito agradável com boa persistência.

Esse é um vinho rosé português da Quinta do Ortigão da região DOC Bairrada. Foi produzido com as castas Baga e Touriga Nacional. possui cor rosa pálida provençal, se comporta elegantíssimo , ideal para aperitivos ou beira de piscina. Tem um aroma agradável floral com leves notas de cereja e amora. Harmoniza divinamente com frutos do mar, peixes grelhados e aperitivos.

O espumante Quinta dos Abibes do terroir Bairrada com 100% casta Baga , é um verdadeiro mimo aos nossos sentidos . Dono de uma enorme delicadeza, apresenta-se frutado, fresco, com um mousse cativante, muito harmonioso e com final persistente. Tem cor rosa definida, ficou 12 meses em cave mais 1 mês após o dégorgement. Espumante rosé bem versátil podendo acompanhar bem peixes grelhados, carnes brancas grelhadas e charcutaria não condimentada.

O vinho rosé da Quinta do Soito , região do Dão, é um vinho de cor vibrante com o tom de rosa framboesa , produzido com as castas Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz. No nariz apresenta-se elegante e com notas de cereja fresca. Em boca elegância e volume com final requintado e persistente.

Esse alentejano rosé Couto Saramago da Herdade da Rocha é vinho produzido com 100% Touriga Nacional . De cor salmão rosado, apresenta aromas delicado de frutos vermelhos maduros, com maior percepção de morango, um toque de pimenta e frutos secos. Ele é fresco , delicado e com boa persistência em boca.

O rosé da linha Estate Selection da eslovena Puklavec Family Wines é um vinho 100% com a uva Pinot Noir da região Štajerska. Ele é fresco e vibrante, um vinho que harmoniza muito bem peixes grelhados e saladas leves .

O espumante brasileiro Cave Amadeu é 100% Pinot Noir , passou por 12 meses de maturação , apresenta-se de cor cereja claro , com uma linda perlage , possui um delicioso aroma de frutas vermelhas com evidencia para o morango, já na boca apresenta uma refrescante acidez com bom volume e persistência em boca. Ele é extremamente agradável e nos dá uma grande versatilidade para harmonizações.

Independente de qual tipo de vinho rosé você abrirá hoje para refrescar o seu dia , espero que as cores , os aromas e os sabores deles possam contribuir para lhes proporcionarem momentos inesquecíveis e cheios de felicidades !

Saúde, Santé, Cheers , Nasdravije , Evoé !!!

Fontes :

Wine Folly The Master Guide , Magnum Edition , Madeline Puckette and Justin Hammock

Os Segredos do Vinho, Mescla Editorial, José Osvaldo Albano do Amarante

O Guia Essencial do Vinho Wine Folly, Editora Intrínseca, Madeline Puckette and Justin Hammack

Conhecer e Trabalhar o Vinho, Editora Litexa, Emile Peynaud

ABC Ilustrado da Vinha e do Vinho , Editora Mauad , Euclides Penedo Borges

Manual Técnico de Vinhos, Editora Turismo de Portugal , Luis Lima,João Covêlo, Paulo Pechorro, Luciano Rosa, Carlos Freire Correia

A Little Course in Wine Tasting, Editora DK, David Williams

O Livro do Vinho, Editora Publifolha, Vincent Gasnier

O Guia Completo do Vinho, Editora Quarto, Katherine Cole

World os Wine, Editora Pavilion, OZ Clarke’s

Wine , Editora H.F.Ullmann, André Dominé

https://www.vinha.pt/como-se-fazem-vinhos-roses/

https://enocultura.com.br/metodos-para-producao-de-vinhos-roses/

http://vidaevinho.com/vinhos-roses-2/



A Eslovênia está localizada na Europa Central, fazendo fronteira com o mar Adriático, Itália , Áustria , Hungria, Croácia. Rica em belas paisagens de colinas e cheia de uma enorme cobertura verde é um país que possui dimensão territorial pequena, mas que apresenta uma enorme riqueza em sua história vitivinícola, que data mais de 2400 anos, onde na época dos Celtas já se produziam vinhos, isso antes das invasões românicas. “Diz a lenda, que as cruzadas em seu caminho para a terra santa pararam em uma das mais belas colinas da área para descansar, nelas foram recebidos por moradores hospitaleiros que bebiam um vinho divinal e decidiram nunca mais partir, a esta aldeia deram o nome de Jerusalem.

Existem 3 regiões de produção de vinhos e 14 sub-regiões reconhecidas. A região de Primorska, que fica na costa, as margens do mar Adriático tem clima típico mediterrâneo, levando a um precoce amadurecimento das uvas, geralmente com baixa acidez e maior concentração de açúcar. Já Posavje acompanha o curso do rio Sava, fica a sudeste do território, tendo como vizinha a Croácia, nela se produz vinhos brancos e tintos, e isso ocorre devido a influência de diversos terroirs em pequenas distâncias territoriais. Já a região de Podravje que está ao longo do rio Drava é a maior região do país e é onde se localizam as mais importantes cidades produtoras de vinho como Maribor, Radgona, Ljutomer e Ormož . O clima é continental como um pouco de influência alpina, nessa região reinam absolutos os vinhos brancos que são realmente sensacionais e estão surpreendendo aos mais diversificados paladares de enófilos nos quatro cantos do mundo.

A Eslovênia apresenta condições perfeitas tanto em climas, solos, expertise e know-how em produzir vinhos de qualidade em suas regiões vitivinícolas e por isso, produz vinhos admirados além de suas fronteiras. A sua maior região produtora apresenta coordenadas geográficas de altitude igual a francesa região da Borgonha e latitude que se pode comparar a da Nova Zelândia. O território é rico em colinas de encostas íngremes, o que faz com que as suas uvas sejam em sua maioria colhidas manualmente. O índice de precipitação pluviométrica pode ficar entre 900 à 1000 mm, a temperatura média dos vinhedos é de 10ºC, seu solo tem boa capacidade de drenagem, na parte mais íngreme do vinhedo é um pouco mais leve com maior proporção de areia e o restante é de argila, logo abaixo de 1 metro é composto de arenito. Já na região do vale a proporção é mais de argila e marga, estudiosos dizem que é devido ao antigo oceano panônico, que deixou uma composição específica nesta área.

São inúmeras as castas brancas produzidas, desde as internacionais como Sauvignon Blanc, Chardonnay , Pinot Grigio , Pinot Blanc e Furmint e as autócnas como Sipon, Rebula , Zelen, Vitovska e Ranina. Realmente posso afirmar que esses brancos eslovenos são deliciosamente surpreendentes por serem alguns cheios de frescor e aroma e outros são trabalhados com maestria ganhando mais untuosidade e corpo, e essa diversidade em brancos tem agradado bastante muitos enófilos.

Duas castas Brancas tem se destacado em produção na maior região vitivinícola que é a Sauvignon Blanc e a Furmint , o loteamento para formar blends sobretudo com essas duas uvas são a marca de um dos principais produtores nacionais (Puklavec Family Wines)® , a qual pude conhecer desde os seus vinhedos, instalações e a filosofia como empresa, que alia a história com a implantação de tecnologia de ponta.

Muita tradição, conhecimentos e história estão por trás de garrafas com uma roupagem de vinhos modernos, enviados a inúmeros mercados mundiais, a família Puklavec guarda no seio das suas terras e adegas verdadeiros segredos de uma produção que vem se modernizando sem esquecer do mais importante, respeito a terra, ao homem e de elevar o nome da sua pátria como um país de grandes vinhos.

Uma linha de vinhos que me apaixonei foi a linha Seven, por ser de uma categoria ímpar em qualidade de vinhos, por ter um controle muito mais rigoroso desde os pés das videiras até a garrafa. Esta linha apresenta em cada lateral de garrafa sete números que correspondem ao seu código do seu rastreamento. Isso é fantástico poder dar essa garantia a quem consome seus vinhos. Esta linha tem um vinho colheita tardia com a casta Traminer considerado “Ultra Premium“, por tanta qualidade, simplesmente inesquecível.

São inúmeras as curiosidades que este país apresenta para o mundo dos vinhos , a começar pelo seu hino nacional que exalta os benefícios do vinho para saúde, abaixo coloco parte dele.

‘ Amigos ! 
As vinhas nos frutificaram o doce vinho, que nos reaviva as veias e nos limpa o coração e aos olhos, e apaga todas as preocupações,  renovando a esperança no peito exausto ! 
Para quem cantaremos primeiro, 
Irmãos !
Este feliz brinde ?’ 

Uma outra fantástica curiosidade para quem é apaixonado pelo mundo dos vinhos e por sua história como eu, é que na cidade de Maribor encontra-se a videira mais antiga do mundo atestada pelo Guinness Book, esse afirma em seus registros que a videira possui ao menos 500 anos. Estive lá para conferir, a videira está ancorada em um lindo casarão do Séc. XVI , sua casta é ZǍMETOVKA, a cada safra pode produzir de 35 à 50 litros e seus vinhos não são vendidos e sim oferecidos a chefes de Estado que visitam a cidade em uma pequenina garrafa que mais parecem frascos de perfume. Como queria ter provado uma gota desse vinho ! Infelizmente só consegui captar uma fotografia ao lado da caixa de vidro que guardava uma garrafa exposta no museu. Outro detalhe interessante é que a cidade de Bento Gonçalvez no Estado brasileiro do Rio Grande do Sul , possui um clone dessa planta.

A gastronomia é um espetáculo a parte na Eslovênia, sem dúvida uma delícia, riqueza de vegetais, cogumelos, carnes de aves, de suínos, gratinados e sopas diversas, e quando harmonizados adequadamente, os sabores e aromas se complementam ainda mais. Que bela experiência enogastronômica, claro que tudo maestrado pelo querido Tadej Pintarič ao qual agradeço imensamente, por me proporcionar momentos inesquecíveis nesse país fantástico que é a Eslovênia e seu afetuoso povo.

Os magníficos vinhos eslovenos realmente estão sendo apresentados ao mundo há pouco mais de uma década, pois só em 1991 o país declarou independência, muitas marcas da história ficaram e ficarão eternizadas nesta pátria, sobretudo nos aromas e nos sabores que esse país têm produzido em vinhos surpreendentes ao mundo. Se você ainda não teve oportunidade de degustar essa nova pérola do mundo dos vinhos, não perca tempo , lhe garanto que será uma grata surpresa !

Saúde! Santé! Cheers! Prost! Salute! Salud!
NASDRAVIJE ! 🥂🍷🇸🇮

#mundodosvinhosbydayanecasal #winelovers #eslovenia #sloveniawines #puklavecfamilyestates #dayanecasal #embaixadadaeslovenia #republicadaeslovenia

Fontes:
* World os Wine, Pavilionbooks, 2017
* The Wine Bible, Karen MacNEIL, 2015
* The Oxford Companion to Wine, Jancis Robinson , Oxford, 2015
* Atlas Mundial do Vinho , Hugh Johnson and Jancis Robinson, Globo Estilo, 2014
* Apresentação Internacional Sales – Puklavec Family Wines

A rolha de cortiça é sem dúvida um dos elementos da maior importância na embalagem do vinho e desperta verdadeira paixão entre os mais diferentes tipos de enófilos nos quatro cantos do mundo. Existem vários vestígios da utilização da cortiça pelos povos do antigo Egito e na civilização romana, mas foi por volta do ano de 1680 que o monge Dom Perignon começou a usar a cortiça em maior escala, esta ida da Espanha para França, onde permitiu substituir o anterior sistema de vedação, que eram uns pauzinhos de cânhamo embebidos em azeite. Nos dias atuais esse objeto de desejo continua a ser usado contribuindo para a conservação, permitindo o envelhecimento e o “respirar” do vinho.

Esta matéria prima muito utilizada pela indústria vínica é obtida através da casca da árvore do sobreiro ( Quercus super L.), um tecido vegetal que é 100% natural e também utilizado por outros tipos de indústrias para diversos outros fins como objetos de decoração, para construção civil e até em equipamentos para a NASA, isso tudo claro , devido suas características de qualidade física como flexibilidade, elasticidade, isolamento térmico e isolamento acústico.

Seu manejo é realizado por mão de obra experiente e qualificada para fazer o descortiçamento. A extração da cortiça é um processo controlado que não requer a morte dos sobreiros, pelo contrário, contribui para a sua regeneração. É necessário em média de 25 a 30 anos para fazer a primeira extração de cortiça de um sobreiro, e pode ser realizada a cada 9 anos , que é o tempo necessário para a regeneração da cortiça. Mas só a partir da terceira tiragem “amadia” quando o sobreiro tem aproximadamente 43 anos é que a cortiça pode ser utilizada para fabricação de rolhas. Em média um sobreiro pode ter vida produtiva de até 200 anos, isso pode chegar dar 17 descortiçamentos, que geralmente acontecem nos meses Maio a Agosto quando a árvore está em seu melhor período para ser manejada.

Outro dia li a frase, ” Cortiça é o petróleo português. “, acredito que realmente pode fazer sentido tal afirmação, afinal, os últimos dados estatísticos são que Portugal é o responsável por 55% da produção mundial de cortiça e o restante provém da Espanha, Itália, França, Marrocos, Tunísia e Argélia.

Após a retirada da cortiça do sobreiro, essas são levadas para secar por 9 meses e só depois começam o seu beneficiamento, que consiste em diversos passos. Primeiramente as placas de cortiça são levadas a uma espécie de cozimento com o objetivo de limpeza e para resgatar a umidade original, após as placas são cortadas em tiras, em seguida é realizada a brocagem por máquinas e em seguida se obtém as rolhas para os mais diversos tipos de categorias. O tipo de rolha escolhido pelo cliente é muito em função da qualidade do vinho a que se destina.

O começo da seleção da qualidade da rolha começa lá no momento da extração da cortiça, paramentos como a espessura e a porosidade são muito importantes, pois influenciam o tamanho da rolha que será produzida e na sua qualidade, quanto menor os “rasgos ou poros” houver , melhor a qualidade da rolha produzida e consequentemente mais valorizada. Mas em todo o processo de beneficiamento é necessário muita atenção para se preservar a qualidade. Uma boa rolha dá a capacidade de ajudar na longevidade de um vinho que se destina a longa guarda e ela deve ser capaz de não alterar o vinho. Há um defeito chamado TCA que é a contaminação na rolha pelo tricloroanisol, produto químico utilizado na limpeza da cortiça, que pode dar um cheiro de mofo ou papelão molhado ao vinho, também é chamado de bouchonée em francês.

A conservação dos grandes vinhos de guarda em garrafa é caracterizada por uma oxidação relativamente baixa de compostos, que são promovidas pelo pequeno processo de difusão do oxigênio realizada exatamente pela rolha. Esses níveis de difusão embora baixos não podem ser ignorados, nem colocados em excesso e geralmente estão ligados a conservação da própria rolha. Portanto é necessário acompanhar o processo de deterioração das propriedades físicas da rolha e este frequentemente está ligado ao nível de umidade relativa que se encontra a adega ou o local onde se armazenam os vinhos. Esse também é um parâmetro que determina se seu armazenamento esteja perfeitamente correto e que lhe possibilitará um excelente local para guarda dos seus vinhos longevos.

As rolhas podem ser de diversos tipos como:

  • As feitas de uma só peça de cortiça , as ditas totalmente naturais, são uniformes e sem rasgos ou orifícios .
  • As técnicas que são compostas de um corpo de cortiça aglomerada, e por um ou dois discos em cada extremidade.
  • Aglomeradas essas são fabricadas a partir de granulados de cortiça oriundos das sobras de produção.
  • As capsuladas que possui um corpo de cortiça natural e possuem uma fixação em uma cápsula de metal ou até outro elemento como madeira , plástico ou porcelana , são muito utilizadas em vinhos licorosos.
  • Por fim a sintética que é obtida a partir de polímeros sintéticos.

**** De acordo com Estudo de Ciclo de Vida conduzido pela PriceWaterhouseCoopers em conformidade com as normas de gestão ambiental ISO 14040 e ISO 14044, cada rolha de cortiça natural é responsável pela fixação de 112 g de CO2. Anualmente são produzidas 12 mil milhões de rolhas de cortiça de todos os tipos, o que corresponde a um total de mais de 150 mil toneladas de CO2 fixado por ano. Pelo contrário, os vedantes artificiais como alumínio e plástico emitem 37,2 g e 14,8 g de CO2, respetivamente. Em comparação com as rolhas de cortiça, as emissões de um vedante de plástico são dez vezes superiores e as das cápsulas de alumínio 24 vezes mais elevadas. *****

Independente de todas as discursões sobre o tipo de rolhas que estão sendo fabricadas no mercado mundial, a poesia em abrir uma garrafa de vinho e poder retirar uma rolha de cortiça, fazendo todos os passos como uma espécie de balé e depois poder guardar esta recordação “a rolha” de momentos magníficos que tivemos ao lado de pessoas queridas, acredito eu, que nunca deixarão de ter valor, portanto meu conselho a todos é que em qualquer ocasião “metam o saca-rolhas” e vivenciem o magnífico mundo dos grandes vinhos.

Fontes:

Primeiramente alerto aos leitores, esse texto abaixo talvez lhes trará um grande problema … , talvez um delicioso problema … de querer ir o mais breve possível conhecer ou até retornar a região do Dão.

A Região do Dão foi a primeira região demarcada de vinhos não licorosos de Portugal (1908). Nessa área geográfica há produção de grandes vinhos, cheios de complexidade, elegância e de enorme longevidade. Para os grandes apreciadores de vinhos não é nenhuma surpresa e nem exagero a comparação entre essas duas fantásticas regiões vitivinícolas mundiais, o Dão e a Borgonha. Essas duas regiões caracterizam-se por produzirem vinhos tintos com aromas cheios de complexidade e ao mesmo tempo cheios de sutilezas, já em boca apresentam-se com excelente intensidade e com uma estrutura delicada. Por estas razões a Região do Dão é chamada de “Borgonha Portuguesa”.

A belíssima região portuguesa do Dão tem localização centro norte no país. Essa região é batizada com o nome do rio que a atravessa, o rio Dão. Vale aqui uma observação importante que o rio Mondego que nasce na Serra da Estrela *(Foto acima do local exato onde ele nasce a 1425 metros acima do nível do mar) também tem a sua grande importância regional por correr quase que em paralelo com o rio Dão e os dois constituem uma rede hidrográfica extensa que se ajustam aos inúmeros relevos acidentados que essa região possui e se caracteriza.

Esta deslumbrante região também chamada de Beira Alta é um dos mais belos destinos para apreciadores de grandes vinhos. Possui uma localização privilegiada, está rodeada por cadeias de montanhas que as protegem de influências exteriores. As Serras da Estrela e da Nave as protegem das influências do clima continental, já as Serras do Buçaco, do Açor, Lousã a sul e do Caramulo a poente, tem fundamental importância por evitarem a entrada de massas de ar húmido vindos do litoral. Essa região apresenta suas vinhas dispersas, descontínuas e divididas em múltiplas parcelas entre pinhais a diferentes altitudes, podendo está implantadas desde os 1000 metros da Serra da Estrela até aos 200 metros das zonas mais baixas.

A região do Dão está sob um platô de granito, onde rochas se sobressaem num solo com drenagem excelente que contribuem diretamente favorecendo a produção de grandes vinhos. Há também em uma pequena parcela ao sul e ao oeste, a presença de solos xistosos e argilosos em áreas mais planas, originando solos mais férteis com maior capacidade de retenção de água, que ocupam cerca de 2% das áreas de produção de vinhas.

Quanto ao clima é do tipo temperado, os invernos são chuvosos e frios e os verões são quentes e secos, com excelente e larga amplitude térmica. A primavera e o Outono são estações que são irregulares e que pedem um nível maior de atenção pois influenciam na quantidade e qualidade dos vinhos produzidos. Nessas estações podem ocorrer problemas como desavinho (ausência de fecundação das flores) e geadas tardias devido a intensidade de frios e chuvas na Primavera, já no Outono quando são muito chuvosos e demasiados frios dificultam a maturação e favorecem o aparecimento de podridões “as não nobres”. A nível macroclimático, o relevo acidentado e montanhoso e a sua rede hidrográfica criam na região uma enorme quantidade de microclimas que contribuem significativamente para produção de diversidade dos seus vinhos.

Quanto as castas produzidas nessa região, sem dúvida o destaque maior são para as uvas tintas, essas chegando até a 80% da produção, em uma legislação recente foi implantado a exigência de que os vinhos tintos do Dão tem que apresentar ao menos 30% da uva Touriga Nacional, claro que por esta magnífica casta bandeira portuguesa está em seu berço, o Dão, e ser nesta região considerada a rainha, onde ela se expressa em sua plenitude e possui uma alta capacidade de envelhecimento. Mas há diversas outras deliciosas castas tintas produzidas como o Jaen ( Mencía da Galícia) , Alfrocheiro e a Tinta Roriz (Tempranillo).

Faço uma ressalva para a produção de maravilhosos vinhos brancos também, claro que em menor quantidade, mas sem dúvida, com qualidade excepcional, a casta Encruzado é simplesmente magnífica, é encorpada e já se firmou em produzir um dos vinhos varietais brancos mais finos de Portugal. Outras brancas como Malvasia Fina, o Bical, o Cercial Branco e o Gouveio também são produzidas, mas com pouquíssima expressão.

Há uma referência a uma adega boutique que não posso deixar de mencionar, pois considero uma das mais surpreendentes e incríveis adegas do Dão que conheço, nela pude observar que existe em cada fase da produção, desde o preparo da terra até a entrega do vinho aos seus clientes, uma verdadeira obstinação de seus produtores e do seu enólogo em produzir impecavelmente cada garrafa de vinho e quando o colocam na garrafa para venda, sem dúvida podem ficar descansados consumidores e enófilos, será uma maravilhosa experiencia, pois são os verdadeiros néctares do baco. Essa magnifica Adega Boutique é Quinta do Soito, e seus produtores José Carlos e Sandra Soares e seu enólogo Carlos Silva tem com certeza a minha completa admiração e respeito pelo belíssimo trabalho que estão fazendo nessas terras e dentro da adega.

A presença da vinha e a produção de vinho na região do Dão é uma atividade milenar. Os vestígios existentes são inúmeros, houve uma forte implantação de ordens religiosas, que teve um papel fundamental no desenvolvimento vitivinícola, pois os monges, pondo em prática todos os conhecimentos da época, difundiam a cultura da vinha e a correta produção do vinho. Em visita a região fui apresentada ao Real Mosteiro de Santa Maria de Maceira Dão, que foi fundado em 1139 pelos monges de São Bento e mais tarde (1157) passou para ordem de Cister. Uma incrível descoberta pra mim no meio dessas andanças vínicas, pois é maravilhoso nos depararmos com videiras tão antigas, pena que a maioria delas encontram-se no meio da mata totalmente abandonadas, assim também como o próprio Mosteiro, mas soube recentemente que será restaurado, espero também conhece-lo quando assim o estiver.

A gastronomia desta região merecia um artigo a parte, é simplesmente sensacional, uma variedade enorme com opções para todos os gostos, me chama muita atenção a qualidade dos cordeiros e caprinos produzidos nesta área portuguesa.

Há um item da gastronomia do Dão, que já adianto logo aos que lêem esse artigo, amo de paixão, é o queijo da Serra da Estrela, possui a Denominação de Origem Protegida (DOP), que é um conjunto de leis e regras que asseguram sobretudo a qualidade do produto. Um detalhe importante é que o leite deve ser somente de rebanhos ovinos da raça Bordaleira Serra da Estrela e/ou Churra Mondegueira isentos de Brucelose, isto é, com um estatuto sanitário B3 ou superior. Esse leite é sem dúvida muito mais rico em inúmeros nutrientes e alcança um rendimento superior para produção de queijo, enquanto que o leite de vaca é necessário em média 10L para produzir 1KG de queijo, o de ovelha só é necessário 5L para produzir 1KG. É um verdadeiro ícone da gastrostomia portuguesa. É fantasticamente delicioso, é de um sabor incrível e os produzem com uma variedade de tipos de maturação, mas o mais consumido é quando ele está semi-mole, que tira-se a tampa e deliciamo-nos com uma espécie de pasta de sabor intenso. Claro que fui em busca de mais informações de como era produzido essa iguaria desde a principal parte, o rebanho ovino. Descobri também que um dos segredos é a utilização da flor do cardo que atua promovendo a coagulação do leite.

O Dão é cheio de atrações turísticas, vale muito a pena tirar uns dias para desbravar essa maravilhosa região portuguesa. Aproveito este texto para partilhar algumas experiências que considero imperdíveis a quem pelo Dão estiver, pois é de uma riqueza histórico cultural desbravar cada quilometro percorrido.

A cidade de Viseu que é a capital da região, é considerada uma das mais belas cidades portuguesas é cheia de atrações históricas e possui restaurantes magníficos. A Serra do Caramulo (que fica na transição do Dão e da Bairrada), possui o Museu do Caramulo com uma coleção de carros e um acervo de obras de artes de valor único, na mesma cadeia de Serras possui em seu ponto mais alto “o Caramulinho” uma visão espetacular da região toda. A cidade de Belmonte considero visita obrigatória a todos os brasileiros, pois lá está o Castelo Medieval e Paço dos Cabrais, além disso possui o Museu dos Descobrimentos, que é todo interativo e conta toda a verdadeira história dos descobrimentos, com muita riqueza de informação sobre as terras do Brasil. Já em Seia podemos visitar o Museu do Pão, que abriga um restaurante delicioso com uma vista panorâmica belíssima. Subir a Serra da Estrela é sempre um belo passeio em qualquer estação do ano, mas fica a dica sempre consultar a meteorologia, é o ponto mais alto de Portugal continental e as vezes pode surpreender com o clima inesperadamente, em seu topo há uma estação meteorológica, uma estação de esqui e pra cada lado que se olhe há beleza a se contemplar.

Sou confreira da Confraria dos Sabores Luso Amazônicos “Grão Vascos” em (Manaus- Amazonas), que é um braço da Confraria de Sabores e Saberes da Beira “GRÃO VASCOS” que tem a sede na cidade de Viseu (Dão). E pra mim é muito mais um enorme prazer partilhar o que a região do Dão tem de tão fantástico do que uma obrigação estatutária. Considero que devo partilhar tudo o que tiver de melhor do mundo dos vinhos e impossível dissociar isso do enoturismo.

Agradeço a paciência dos leitores de terem chegado até aqui, lendo minhas palavras, convido vocês a fazerem essa viagem vínica, gastronômica, histórica, cultural e sobretudo para dentro de si mesmos, identificando tudo o que lhes proporcionam prazer e felicidade na vida. E pra mim a maioria das vezes são as coisas mais simples.

Fontes Complementares:

Abril, 2019

A encantadora região vitivinícola da Bairrada se localiza centro norte de Portugal, beirando o litoral até encontrar com as serras do Caramulo e Bussaco, o que lhe confere excelentes condições para produzir vinhos fantásticos. Esta região possui uma história muito antiga na produção vínica. Tive a oportunidade de ler outro dia, um artigo escrito por um amigo bairradino em que ele mencionava que até há registros dos impostos pagos ao rei Afonso Henrique, e esses, oriundos da produção de vinhos da Bairrada.

As principais características desse terroir são solos argilo-calcários e parcelas de solos arenoso. A argila é uma rocha sedimentar com uma grande capacidade de reter água e baixa capacidade de drenagem. Esses solos se caracterizam por serem frescos e com alta acidez. Esta região que compreende desde a costa do Atlântico até se encontrar com à fronteira da região do Dão, recebe influências marítimas com uma boa amplitude térmica no período em que as uvas amadurecem, seu clima temperado e bem marcado recebe influência direta do Oceano. Nas estações do ano podemos observar que os invernos são frescos, longos e chuvosos, já os verões são quentes, mas suavizados com a presença de ventos do Oeste e Noroeste, isso em maior proporção quando perto ao mar.

A Bairrada é uma região vinícola portuguesa de riquezas e belezas sem igual, possui a classificação Denominação de Origem Controlada (DOC) e destaca-se pelos tintos de cor densa e com elevados taninos e enorme capacidade de longevidade. Falar em Bairrada é falar de grandes vinhos tintos portugueses, e esses têm se destacado a nível mundial, alguns se denominam até de “Sublimes”, de tão fantásticos.

Na terra da uva Baga* predominam os tintos encorpados, de cor granada à rubi, apresentando nuances acastanhadas com o envelhecimento. Seu aroma é frutado quando jovem, e com a evolução da idade se tornam mais complexos. O sabor é harmônico, onde podemos perceber uma sólida estrutura. Dentre as principais uvas cultivadas podemos destacar além da Baga*, as Touringa Nacional, Castelão, Aragonez e entre as representantes estrangeiras como a Cabernet Sauvignon, Syrah, Pinot Noir e Merlot.

Nessa região também se produz vinhos brancos esplendidos , com aromas e sabores que encantam qualquer enófila como eu. As castas mais produzidas são Arinto, Bical, Maria Gomes e Cercial. Conheço inúmeros vinhos brancos da Bairrada, e venho percebendo que nos últimos anos eles tem se expandido em qualidades arrastando diversos prêmios mundiais. Existe um vinho branco chamado “Sublime” que me encantou grandemente, pois tem um sabor frutado, com frescura evidente e com até uma certa crocância , é volumoso, harmonioso e termina muito elegantemente e com boa persistência em boca.

Essa região produz espumantes elegantíssimos, da mais alta qualidade e cheios de riquezas de aromas e sabores resultado da diversidade de solos. Por volta de dois terços dos vinhos espumantes portugueses são produzidos na Bairrada, a região é responsável pela venda anual de cerca de oito milhões de garrafas. Foi uma das primeiras regiões de Portugal a adotar e a produzir esses vinhos pelo método champanhes. O clima fresco e húmido favorece a sua elaboração, proporcionando uvas de acidez elevada e baixa graduação alcoólica.

Compartilho a experiencia que fui presenteada por um grande amigo produtor de espumantes topo de gama na região, o presente foi uma belíssima e emocionante prova vertical de maravilhosos espumantes da Quinta dos Abibes com as castas Arinto e Baga das safras 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 e 2013. Mimo esse, de um valor sem igual, ao qual posso resumir em poucas palavras , esses espumantes da Bairrada sabem envelhecer e bem !!!

Na capital do espumante português, na cidade de Anadia, pode-se fazer desde uma visita ao Museu do Vinho da Bairrada, que fica ao lado da escola de Viticultura e Enologia da Bairrada, e também fazer inúmeras visitas à produtores desses néctares e poder conferir in loco a qualidade e o perfil diversificado dos espumantes bairradinos, que podem ir dos brancos, rosés e até aos maravilhosos espumantes tintos.

A “Rota dos Vinhos da Bairrada“, é um destino que recomendo a todos , aos que já são grandes conhecedores, mas também aquelas pessoas que estão começando a se interessar pelo mundo dos vinhos. Passeando nesta área geográfica podemos ter a dimensão da vastidão dos tipos e qualidades de vinhos que a Bairrada está produzindo nesse momento, apesar de ser um pequeno terroir em termos de área geográfica.

Um detalhe de extrema importância é a conversa diretamente com os produtores, amo fazer isso, pois só assim conhecemos os detalhes a que eles se dedicam diariamente e que fazem durante todo o processo da produção dos seus vinhos.

Tenho algumas preferencia na Bairrada por produtores como a Quinta dos Abibes, que sempre numa conversa com o Prof. Francisco Batel Marques é pra mim, uma vastidão de aprendizado, a Quinta do Ortigão ao qual o Pedro e João Alegre são sempre uma simpatia e sua Quinta têm além de uma importância histórica nos espumantes na Bairrada com o trabalho dos seus antepassados, como na atualidade produzem uma enorme diversidade de néctares deliciosos para todos os tipos de gosto e de consumo. Já a nível de novos projetos vínicos Bairradinos adorei conhecer os vinhos PGA , que é a sigla de Pedro Guilherme Andrade , um enólogo apaixonado e que faz inúmeros trabalhos diversificados na região, mas que resolveu fazer o seu próprio vinho com sua identidade.

A Confraria dos Enófilos da Bairrada a qual tenho muita honra de pertencer, é a confraria vínica mais antiga de Portugal em atividade, esse ano completa 40 anos e haverá uma comemoração pra lá de especial comandada pela Presidente Célia Alves. Os confrades e as confreiras dessa confraria tem o objetivo estatutário de defesa, prestigio, valorização e propaganda dos vinhos da Bairrada e dos vinhos portugueses em geral.  

O leitão à Bairrada cabe um capítulo a parte, é uma das mais conhecidas iguarias da gastronomia portuguesa, o que deixam os bairradinos cheios de orgulho por tantas delícias de suas terras. Quem pisa em solo bairradino não pode deixar de degustar. Existem inúmeros lugares que assam e vendem o leitão, mas há uns que realmente valem a indicação, se estiver passando pela Mealhada, sem dúvida recomendo o Pedro dos Leitões, se estiver mais próximo de Aguada de Cima a indicação é a Casa Vidal, mas se você é morador, provavelmente você conhece muito bem alguns assadores que o fazem em fornos em suas casas e são simplesmente espetaculares. Tive a honra de provar o Soares dos Leitões e fiquei encantada.

Aqui além de leitão há inúmeros outros deliciosos pratos gastronômicos desde frutos do mar, chanfanas, arroz de galo e os deliciosos cabritos. Existem vários chefs que valem toda a minha referência pela bela cozinha de qualidade que apresentam ao servirem seus clientes com tanto amor ao que fazem. No parque da Mealhada tem o restaurante Magnun’s & co especializado em peixes e frutos do mar, mas serve também uma bela carne galega maturada que o Chef Domingos Gonçalo faz divinamente. Em Anadia tem o novíssimo Quatro Estações, com o Chef Carlos Fernandes com um ambiente e gastronomia fantásticos. Já em Águeda junto ao rio tem o Manjar da Helena, comandado pelo Chef Pedro Guarino que coloca em cada prato uma porção do seu próprio coração, cheio de amor ao que faz.

Na Bairrada há inúmeros passeios culturais que de uma forma ou outra se correlacionam com a cultura vínica, que está intrinsicamente ligada a região. Sugiro como visita obrigatória o Palácio do Bussaco, último palácio dos reis de Portugal, está cravado no seio da Mata Nacional da Serra do Bussaco, sua arquitetura Neomanuelina é um luxo só, cheia de riquezas em detalhes e desde os anos de 1917 abriga um hotel de luxo na região.

Possui um jardim magnífico e é nesse palácio que anualmente acontece o Grande Capítulo dos Enófilos da Bairrada, em noite de gala os Confrades e Confreiras sobem a serra vindos dos quatro cantos do mundo para festejarem os vinhos da Bairrada. Nesse lendário palácio de conto de fadas, há longe das vistas de todos, uma adega impressionante, lendária e mística, onde lá descansam vinhos do BUSSACO lendários.